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Os fundos de recebíveis conquistam
um terreno cada vez maior no mercado,
consolidando-se como uma alternativa barata de
captação de recursos e por prazos mais longos.
Segundo números da Integral
Trust, empresa especializada no produto,
o valor total das cotas dos fundos de investimento
em direitos creditórios (FIDCs) lançados neste ano
atinge R$ 1,56 bilhão, o equivalente a 67% dos R$
2,3 bilhões de todo o ano passado.
Como se trata de uma operação de
securitização, o custo de captação por meio dos
FIDCs é mais atraente, diz Francisco Turra, sócio
da Integral Trust, acrescentando que é possível
conseguir recursos por prazos bastante longos -há
fundos de até dez anos. Turra lembra que o produto
já está bem mais difundido. Os fundos de
recebíveis foram regulamentos em 2001, mas só
deslancharam a partir do primeiro trimestre de
2003. Hoje, os FIDCs são mais conhecidos, e
empresas e bancos se sentem confortáveis em
lançá-los para levantar dinheiro, afirma ele,
assim como os investidores estão mais à vontade
para adquirir cotas dessas aplicações.
Chuck Spragins, sócio da Uqbar,
empresa especializada em securitização, aponta
outra vantagem que explica o crescimento do
produto: a possibilidade de segregar os risco da
empresa do risco dos recebíveis que fazem parte da
carteira do FIDC. Se a operação for bem
estruturada, é bastante segura, afirma ele. Quem
investe num desses fundos corre o risco dos
recebíveis, e não o da companhia ou banco. "Para
que haja segurança, porém, é crucial que a venda
dos recebíveis do originador (a empresa ou banco)
para o fundo seja perfeita e acabada", afirma
ele.
O diretor
da corretora Planner, Ricardo
Penna de Azevedo, também ressalta essa
característica, que permite ao investidor ver com
clareza o risco que se está correndo. Uma outra
vantagem, segundo ele, é que há um acompanhamento
trimestral feito pelas agências de classificação
de risco, que analisam a qualidade de crédito do
fundo. A Uqbar, por sua vez, oferece a seus
clientes um acompanhamento detalhado da carteira
de recebíveis, colocando à disposição no seu site
informações como o nível de inadimplência, a vida
média dos contratos e o volume de pagamento
antecipado.
Os FIDCs também são interessantes
para empresas por serem uma alternativa de
desintermediação financeira, diz Azevedo. Por meio
deles, as companhias têm uma opção para
diversificar suas fontes de financiamento, não
precisando recorrer só a empréstimos
bancários.
Os fundos têm crescido bastante
porque há uma forte demanda por parte de
investidores como fundos de pensão, seguradoras e
fundos de investimento por aplicações mais
rentáveis. Como os juros básicos caíram
significativamente de meados do ano passado para
cá, fundos de pensão, por exemplo, buscam nos
FIDCs uma opção para atingir metas atuariais.
Spragins lembra ainda que há
variedade grande de ativos que podem ser
securitizados, como créditos de financiamento
imobiliário, contratos de financiamento de
veículos, empréstimo com desconto em folha de
pagamento e mensalidades escolares. Com isso, há
uma perspectiva de crescimento dos fundos. Turra
considera possível que o valor dos fundos atinja
R$ 10 bilhões no fim do ano- hoje, está R$ 3,85
bilhões.
Um dos fundos lançados recentemente
é o Bancoop I, da Cooperativa Nacional dos
Bancários (Bancoop), que tem prazo de três anos. O
objetivo é captar R$ 60 milhões, e a expectativa é
concluir a venda das cotas até a primeira quinzena
de agosto, afirma o gerente financeiro da Bancoop,
Alessandro Bernardino. Segundo ele, o principal
atrativo do FIDC é sem dúvida a possibilidade de
obter recursos a um custo mais baixo. Os
recebíveis do fundo são os contratos de
autofinanciamento da cooperativa. Bernardino diz
que outro FIDC poderá ser lançado até outubro. O
dinheiro vai ser usado para adiantar a execução de
obras da Bancoop.
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