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ESTADO
08:42 CENÁRIO: CRIS
DEVEM DOMINAR MERCADO DE RECEBÍVEIS NO LONGO
PRAZO
São Paulo, 01 - Os Certificados de Recebíveis
Imobiliários (CRIs) deverão responder, no
futuro, pelo maior volume de títulos emitidos
pela indústria brasileira de securitização,
assim como já ocorre com instrumentos
semelhantes nas praças em que a operação é
considerada madura. Nos Estados Unidos, por
exemplo, o setor imobiliário é há tempos o maior
responsável pelos grandes volumes emitidos pelas
securitizadoras de crédito.
Estima-se que naquele país o volume total em
circulação no mercado de títulos lastreados em
hipotecas (papel semelhante a CRI brasileiro)
supera a casa dos US$ 4 trilhões.
Em algum momento, afirma o especialista da Uqbar
Educação e Informação Financeira Avançada, Chuck
Spragins, o mercado imobiliário será também no
País a principal alavanca das operações de
securitização. De acordo com ele e outros
especialistas, apesar do avanço, há alguns
obstáculos ainda. Dois dos entraves para a
intensificação do ritmo de emissão de recebíveis
imobiliários no País são as taxas de juros
elevadas e a cultura do investidor brasileiro de
buscar resultados no curto prazo - derivada
também do passado de hiperinflação.
O nível dos juros, de seu lado, impele os
investidores a títulos cujos rendimentos estão
atrelados à taxa básica, atualmente em 19,25% ao
ano.
Nesse cenário, os recebíveis imobiliários pagam
menos que os títulos do governo, por exemplo, e
passam à margem da carteira dos investidores. A
cultura do curto prazo, por sua vez, tem
praticamente o mesmo efeitos dos juros, uma vez
que o retorno dos CRIs é diluído no tempo.
Apesar dos obstáculos, a securitização de
créditos imobiliários registrou crescimento
expressivo nos volumes ao longo do ano passado.
De acordo com o relatório "Securitização:
Revisão do Mercado Doméstico - Ano 2004",
publicado pela empresa de informações
financeiras, as emissões de títulos lastreados
em créditos imobiliários cresceram 1.558% em
2004, para R$
602,4 milhões. No ano anterior, o volume emitido
totalizou R$ 36,3 milhões.
Segundo o relatório, o crescimento se deu tanto
em número de operações realizadas quanto em
volume e foi 12,6 vezes superior à taxa de
crescimento de todo o mercado de securitização
no País ao longo do ano passado (123%).
A participação do setor imobiliário deu um salto
no mercado total de securitização no País, que
em 2004 movimentou R$ 3,708 bilhões. A fatia,
que era de 2% em 2003, pulou para 16%, de forma
que na indústria de securitização os créditos
imobiliários passaram a ocupar a terceira
colocação, atrás de recebíveis comerciais (34%)
e crédito em consignação (29%). Outros setores
que originam operações de securitização são
financiamento de veículos, crédito direto ao
consumidor, empréstimos a pessoas jurídicas e
mensalidades escolares.
O relatório aponta que em 2004 foram realizadas
20 operações envolvendo recebíveis imobiliários,
18 delas via cinco securitizadoras imobiliárias
e duas em que foram utilizados Fundos de
Investimento em Direitos Creditórios
(FIDC)
como entidade emissora. O principal destaque do
ano ficou por conta de uma operação privada de
R$ 237 milhões da Companhia Securitizadora de
Recebíveis Imobiliários (Cibrasec), realizada no
segundo semestre. Nesse caso, a Cibrasec comprou
a carteira de crédito imobiliário de um banco e
vendeu os recebíveis para essa mesma
instituição.
Segundo Spragins, esse tipo de operação direta
entre securitizadoras e instituições financeiras
vem crescendo no País em função da possibilidade
de os valores aplicados pelos bancos na compra
de CRIs serem utilizados no cálculo dos volumes
destinados pelos bancos ao financiamento
imobiliário.
"É mais interessante para o banco ter o CRI do
que a carteira de crédito, se os títulos puderem
entrar no cálculo da exigibilidade", argumentou.
Vale lembrar que as operações de securitização
são o principal motor do Sistema Financeiro
Imobiliário (SFI), que ainda não decolou.
Embora o índice de crescimento verificado no ano
passado salte aos olhos, é importante ressaltar
que a base de comparação, em 2003, era bastante
reduzida. Dessa forma, qualquer volume adicional
de emissões teria efeito notável na evolução do
mercado de recebíveis imobiliários. Portanto,
mais importante que o porcentual de incremento é
o maior número de operações e, principalmente, a
iniciativa dos bancos em transformar suas
carteiras de crédito imobiliário em títulos.
Esse movimento deve ser acompanhado mais adiante
pelas construtoras, que também detêm carteiras
volumosas de financiamento. A partir daí, o
setor poderá ser considerado maduro.
(Stella Fontes)
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